Preparando o Brasil para a Copa do Mundo
A realização de dois grandes eventos mundiais nos próximos anos nos traz grandes oportunidades.
Poucos países no mundo tiveram este privilégio: Sediar Copa do Mundo e Olimpíadas.
São vários os desafios que antecedem estes mega-eventos.
O Brasil tem em suas mãos o desafio até a realização, e também uma proposta para deixar um legado positivo
para a sociedade. Tenho certeza que estes eventos proporcionarão ao povo brasileiro uma experiência marcante
e elevará muito nossa auto-estima.
O ambiente interno é de fato um item relevante, todas as obras de infra-estrutura e os impactos sobre a macro e
micro-economia permitirão melhores condições de vida ao cidadão brasileiro. Penso que os impactos
consolidados da copa do mundo em 2014 por exemplo, chegam a RS 29,6 bilhões (demanda final,
investimentos, despesas operacionais, despesas de visitantes, produção nacional de bens e serviços, renda,
emprego e
arrecadação tributária - Fonte: Ernst Young).
Os setores mais beneficiados serão: Construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas,
serviços de informação, turismo e hotelaria.
O fluxo de turistas presente nos eventos irá turbinar o consumo e adicionar mais visitantes interessados em
conhecer o nosso país e a nossa gente. Acredito que diante deste cenário super positivo surjam algumas
questões clássicas que merecem a nossa atenção neste momento:
a) Investimentos na capacitação da mão-de-obra no mercado de turismo: Toda a cadeia do turismo deve se
mobilizar com este fim. Sem preparo adequado sofreremos muito para corresponder as expectativas dos
nossos visitantes e autoridades internacionais.
Vivemos um tempo oportuno, entretanto devemos estabelecer como prioridade este tema em nossa agenda
nacional (entidades, ministérios, órgãos do turismo e associações), não podemos permitir que todo investimento
para conquistar estes eventos esbarre na falta de mão de obra qualificada.
Milhares de micro-empresas serão beneficiadas e fortemente impulsionadas durante a realização dos
eventos no Brasil. Teremos uma única chance de causar uma boa impressão ao mundo.
b) Planejamento: Necessitamos aprimorar esta questão de planejamento. O Brasil tem longa tradição em
planejamento verticalizado em que as decisões são tomadas por governos centrais e irradiadas para pontos
locais de organização. As autoridades envolvidas neste grande projeto devem ouvir os profissionais do turismo
que conhecem as deficiências sistêmicas do nosso setor, e permitir um canal direto de sugestões a fim de
identificar os riscos e encontrar em tempo as soluções para este setor de serviços. Em resumo, a qualidade do atendimento aos visitantes deverá ser relevante neste processo de planejamento.
Não podemos correr o risco do ‘efeito gargalo’ (restrição no fluxo de visitantes devido a escaladas de preço ou esgotamento da capacidade) ou ainda perdas econômicas e humanas causadas por desordem ou outros efeitos negativos.
Acredito que as oportunidades são maiores que os desafios. É preciso saber aproveitar muito bem esta dádiva concedida por Deus ao nosso querido Brasil.
Minha expectativa é que juntos possamos contribuir para que estes eventos determinem um novo tempo para
o nosso país, permitindo que o nosso setor amadureça, cresça e se torne um marco na história da indústria
do turismo.
Evandro de Oliveira Correa
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